Um encontro no Recife Antigo

por Isabela Ferro | abr 25, 2026 | Gente da gente | 0 comentários

Cheguei no horário, como sempre. Eu nunca me atraso pra nada, mas, naquele dia, isso não significava exatamente tranquilidade. No caminho até o Cinema do Porto, no Recife Antigo, minha cabeça estava cheia de perguntas. Será que ele vai gostar de mim? Será que a conversa vai fluir? Será que vai ser estranho?

Quando ele chegou, tudo pareceu mais simples do que eu tinha imaginado. Não teve silêncio esquisito de começo de encontro, nem esforço pra parecer interessante. A conversa foi natural desde o início, como se a gente já se conhecesse há mais tempo.

Entramos para assistir “A Substância”, e logo percebi que talvez não tivesse sido a melhor escolha. No meio do filme, ficou claro que ele estava desconfortável. Foi ali que descobri que ele detesta agulhas e qualquer coisa que envolva sangue, exatamente o tipo de coisa que o filme mostrava.

Mesmo assim, a situação acabou ficando engraçada. A gente trocava olhares, comentava baixinho, segurava o riso em algumas cenas. No fim, o filme virou quase um detalhe. O mais importante era que a gente estava à vontade um com o outro.

Quando a sessão terminou, fomos caminhar pelo Recife Antigo. É um lugar que eu já gostava muito, mas naquele dia parecia diferente. Talvez pela companhia, talvez pela forma como tudo estava acontecendo.
Em algum momento, nossas mãos se encontraram. Foi simples, sem muita cerimônia, mas mudou o clima. O nervosismo que eu senti antes foi dando lugar a uma sensação mais leve.

Sentamos em um restaurante e ficamos conversando por horas. Sobre a vida, sobre coisas importantes e outras completamente aleatórias. E o melhor é que não teve esforço. A conversa simplesmente acontecia.

Foi ali que eu pensei, de forma bem clara, que era ele.

Dois meses depois, a gente voltou ao mesmo lugar. Refez o trajeto do primeiro encontro, passou pelos mesmos pontos, sentou no mesmo restaurante. Dessa vez, com mais história entre a gente.

E foi ali que ele me pediu em namoro. Foi simples, direto, e fez todo sentido.

Eu disse sim sem pensar duas vezes, porque, no fundo, aquela resposta já estava construída desde a primeira noite, entre um filme mal escolhido, uma caminhada pelo Recife Antigo e a sensação de que, com ele, tudo era mais fácil do que eu esperava.

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